sábado, 3 de setembro de 2011

INCINERAÇÃO NÃO É A SOLUÇÃO- Greenpeace

Queimar já foi considerado o método mais eficiente de acabar com o lixo, seja ele de origem doméstica ou    industrial.  Entretanto,    com    o   avanço    da   industrialização,    a   natureza    dos   resíduos     mudou  drasticamente.      A   produção     em   massa     de  produtos    químicos     e  plásticos   torna,  hoje   em   dia,  a eliminação   do   lixo   por   meio   da   incineração   um   processo   complexo,   de   custo   elevado   e   altamente poluidor. Longe de fazer o lixo desaparecer, a incineraçãoacaba gerando ainda mais resíduos tóxicos, e tornando-se uma ameaça para a saúde pública e o ambiente.

Em maio de 2001, o Brasil assinou a Convenção de Estocolmo, tratado da Organização das Nações
Unidas (ONU) que trata do combate aos Poluentes Orgânicos Persistentes (POPs), e que aponta a
incineração de resíduos como uma das principais fontes geradoras destes poluentes. A Convenção
recomenda que o uso de incineradores seja eliminado progressivamente.
 
Veja o texto na íntegra no link:

http://noalaincineracion.org/wp-content/uploads/INCINERA%C3%87%C3%A3O-N%C3%A3O-%C3%89-A-SOLU%C3%87%C3%A3O3.pdf



                         Campanha de Substâncias Tóxicas do Greenpeace Brasil
                                       www.greenpeace.org.br/toxicos 

sábado, 9 de julho de 2011

Brasileiro consome 30 quilos de plástico reciclável por ano, mostra pesquisa


Cada brasileiro consome, em média, aproximadamente 30 quilos de plástico reciclável por ano, segundo a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim). Em 2010, de acordo com anuário do setor químico da entidade, foram consumidas no país cerca de 5,9 mil toneladas de plástico, o que representa 50% a mais do que há dez anos.
Os dados foram apresentados nesta quinta-feira (7) pela pesquisadora Lucilene Betega de Paiva em um seminário na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Lucilene trabalha no Instituto de Pesquisa Tecnológica do Estado de São Paulo (IPT) e é especialista em plásticos.
Em sua participação no seminário, ela falou sobre a importância da reciclagem desse material. Segundo ela, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) pode ajudar a “transformar um passivo ambiental em uma fonte de recursos financeiros”. A PNRS foi o tema central do seminário na Alesp. O evento faz parte de uma série de debates preparatórios para a 12ª Conferência das Cidades, promovida pela Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara dos Deputados. A Conferência das Cidades ocorre todo ano, no segundo semestre. Em 2011, ela está programada para outubro e deve tratar também da PNRS.
A PNRS foi instituída por lei aprovada, sancionada e regulamentada no ano passado. Ela estabelece regras para a destinação do lixo produzido no país. De acordo com a PNRS, a reciclagem deve ser priorizada. Já o lixo não reciclável deve ser levado a aterros sanitários. Os lixões precisam fechados até 2015.
Dados da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), também apresentados no seminário na Alesp, mostram que o Brasil ainda precisa avançar para cumprir o estabelecido pela PNRS. Segundo levantamento feito pela entidade em 350 cidades que concentram quase metade da população urbana brasileira, 42% do lixo do país não receberam uma destinação adequada no ano passado.
Ao todo, foram 23 milhões de toneladas de lixo levadas para lixões ou aterros controlados, que não são ambientalmente apropriados. Para aterro sanitários, em que existem sistemas para evitar contaminação de água e solo, foram levadas 31 milhões de toneladas de lixo. O deputado federal Manoel Junior (PMDB-PB), presidente da Comissão de Desenvolvimento Urbano, disse que a implantação da PNRS é um desafio para o país. As discussões durante seminários e na Conferência das Cidades, acrescentou, podem ajudar a adequar a destinação do lixo no país. (Fonte: Vinicius Konchinski/ Agência Brasil)

quinta-feira, 16 de junho de 2011

I OFICINA DE RESÍDUOS SÓLIDOS

No primeiro ano de trabalhos do MOSAL, o coletivo se preocupou em
analisar e responder a questão do esgotamento sanitário, motivado pela
premência em enfrentar a questão dos emissários submarinos projetados
pela CASAN para a ilha de Santa Catarina. 
Em função dessa prioridade, foram realizadas várias oficinas populares
que, ao final, produziram uma proposta bastante consistente de modelo
descentralizado de esgotamento sanitário para as regiões sul e norte da
ilha. 
Ao longo desse intenso trabalho, em meio a manifestações de toda
ordem, surgiu na agenda a discussão sobre o Plano Municipal Integrado
de Saneamento Básico – PMISB, elaborado pela Prefeitura Municipal de
Florianópolis, por meio de equipe montada na Secretaria Municipal de
Habitação e Saneamento.

Membros do MOSAL participaram de várias Audiências Públicas em torno
do projeto do PMISB, mas a par das inúmeras sugestões e documentos
entregues pelo coletivo ao longo desse processo, ficou claro que, além de
uma lacuna na discussão sobre esgotamento sanitário, havia também
uma lacuna ainda maior na discussão sobre resíduos sólidos, tema que,
pelos motivos apontados acima, não havia sido analisado com
profundidade como o foi o esgotamento sanitário.
Fazendo uma crítica ao anteprojeto do PMISB, o MOSAL publicou em
dezembro de 2010, um texto intitulado
“UM PLANO SOB ENCOMENDA PARA A CASAN”
http://mosal-movimentosaneamentoalternat.blogspot.com/search?updated-
max=2011-01-06T12%3A14%3A00-08%3A00&max-results=7, disponível
 no blog do coletivo, no qual pontua os principais aspectos que o
caracterizam como uma peça muito aquém das reais necessidades nesse
 setor para a cidade, abordando questões que vão desde previsão de
 investimentos, prazos, modelos de sistemas de saneamento, até questões
 relativas à gestão do sistema como um todo.
Abaixo, as tabelas ilustram alguns desses aspectos detalhados no texto,
que foram apresentadas durante a primeira parte da oficina.




Em função dessa atribulada conjuntura, e diante da  necessidade de se
produzir uma proposta concreta para a cidade relativa à área de resíduos
sólidos, visando uma alternativa ecológica em relação àquela formulada
no PMISB, o coletivo do MOSAL decidiu construir essa primeira oficina
popular, iniciando o processo de construção da mesma.    

As parcerias para a sua efetivação se deram em função da necessidade
de aglutinar diversos setores ligados às atividades com resíduos sólidos
na cidade:

associação de catadores, associações comunitárias,
ecológicas, movimentos sociais, entre outras, que, ao final, conformaram
o leque de promotores da mesma.



Apresentações:







Os grupos avaliando o trabalho sobre mapas :







OS RESULTADOS ALCANÇADOS


Cabe salientar que a proposta da PMF se restringe a
três grandes centros de coleta e triagem que, por sua vez, encaminhariam
os materiais para um centro ainda maior. Em suma, é um modelo
altamente centralizado de coleta e tratamento de resíduos sólidos. 
Decorrente dessa construção/proposta hipotética adveio a questão mais
enfatizada ao final da oficina, que foi a evidente e URGENTE necessidade
de injetar mais recursos públicos no sistema atual  visando sua
reorientação para a coleta seletiva.
O gráfico abaixo ilustra o desafio de implementar um sistema totalmente
diferente de gestão de resíduos sólidos, que visa a mudar o padrão atual
de coleta  de lixo comum, invertendo sua matriz ao incrementar
exponencialmente o volume da coleta seletiva de materiais em detrimento da
coleta do anterior.
O poder público municipal não investe na coleta seletiva em Florianópolis
em função de um motivo sobejamente conhecido: alega falta de dinheiro.
No entanto, é público e notório o fato de que o “lixo comum” é recolhido
pela COMCAP e reunido numa grande estação de transbordo na qual ele
é acondicionado em enormes jamantas que o transportam por via
rodoviária até o aterro sanitário metropolitano de Tijucas, 40km distante
da capital. A PMF paga R$ 107, ... para cada tonelada de lixo posto no
aterro em Tijucas. Se a prioridade na política pública fosse diminuir o
volume a ser transportado para lá, e aumentar, conseqüentemente, o
volume da coleta seletiva, visando tirá-lo do volume destinado ao aterro
em Tijucas, sucessivos orçamentos municipais teriam contemplado essa
diretiva, e, ao longo de poucos anos, teríamos um outro padrão que o
atual, que aponta apenas 5% do volume total para a reciclagem.
Outra questão decorrente da análise feita ao final  da oficina, indica a 
possibilidade de os “centros de gestão de resíduos sólidos” – as estações 
de coleta e encaminhamento de materiais nas suas mais diferentes 
formas de apresentação e dimensão, serem equipadas  com todos os 
equipamentos necessários para processar os mais diferentes materiais in 
loco, evitando dessa forma, o seu transporte para outras estações. O 
princípio é o de que as estações sejam os locais nos quais todos os 
materiais acolhidos sejam processados e dali encaminhados para as 
indústrias e destinos que os reaproveitarão, seja com caráter comercial, 
seja apenas com caráter sócio-ambiental.
Prensas, esteiras separadoras, enfardadoras, entre outros equipamentos, 
poderiam acolher e processar toda sorte de materiais acolhidos pelos 
inúmeros centros espalhados pela cidade, propiciando, ao longo do 
tempo, enorme diminuição do volume do “lixo comum” hoje transportado 
para o aterro sanitário – muito material precioso desperdiçado.

De outra parte, se por um lado, a enorme massa vegetal recolhida na
cidade em função da varrição, corte de gramado e poda de árvores nas vias
e logradouros públicos. é hoje  triturada na COMCAP e encaminhada para
a compostagem, este processo ainda é feito de maneira centralizada e limitada,
não abrangendo toda a cidade nem funcionando como gerador de renda nos
diferentes distritos, demandando ainda, transporte desse material a longas distâncias.
Além disso, a maior parte da massa vegetal trazida pelo mar nas praias ainda é
encaminhada como “lixo comum” e transportado para  Tijucas.
É nesse sentido que apontamos a falta de interesse por parte do
poder público e o modelo centralizado como sendo fatores
impeditivos para o sucesso da gestão de resíduos sólidos na cidade. 
Ainda no quesito materiais especiais, o entulho de obras e desmanches é 
um problema concreto que afeta todas as cidades e requer formas 
específicas de tratamento, normatização na coleta e disposição, além de 
máquinas trituradoras apropriadas que já existem à  disposição no 
mercado.

Estas, também devem ser instaladas nesses  centros, 
propiciando seu re-uso por parte da comunidade. Hoje se faz 
pavimentação com parte de trituração de entulhos, entre outras coisas. 
A produção de cavacos e serragem decorrente do processamento da 
massa vegetal poderá gerar dividendos sociais e ecológicos, além de 
financeiros para o município, pois diminui o custo  que demanda o 
transporte desses materiais ao aterro sanitário, além de oferecer um 
produto que pode ser usado localmente pela população na jardinagem, 
produção frutífera e paisagismo em micro escala.



MMA e Abras estabelecem metas para redução das sacolas plásticas


 Associação Brasileira de Supermercados (Abras) firmou pacto setorial com o Ministério do Meio Ambiente (MMA) para reduzir em 30% as sacolas plásticas nas lojas de todo o país até 2013 e 40% até 2014, tendo como base os números de produção de 2010, que até agora estão estimados em aproximadamente 14 bilhões. A meta está no Plano Abras de Ação Sustentável – 2011, que dedica um capítulo especial para as ações de redução do consumo de sacolas plásticas.De 2007 a 2009, dados da Indústria do Plástico mostram redução de 30%, mas ainda há muito a ser feito. Para alcançar a meta, a Abras irá elaborar um manual de ações de boas práticas nos pontos de venda para conscientizar funcionários e consumidores dos benefícios da redução das sacolas plásticas; produzirá uma campanha publicitária aberta à adesão voluntária de todas redes de varejo; fará pesquisa para acompanhar a redução da distribuição de sacolas nos pontos de venda das empresas; premiará os casos de sucesso de redução do consumo de sacolas; e divulgará boas práticas do uso de sacolas plásticas em todos os Estados, por meio dos cursos de operador de caixa e de empacotador da Escola Nacional de Supermercados.PPCS – A iniciativa da Abras segue as diretrizes do Plano de Ação para Produção e Consumo Sustentáveis (PPCS) do MMA, que estava em consulta pública até 30 de novembro para receber comentários e sugestões da sociedade. Dessa forma, no texto final do PPCS, que deve ser publicado até o final do ano, o Plano da Abras constará como pacto setorial para varejo e consumo sustentáveis.“Desde 2009, quando lançamos a campanha Saco é um Saco, contamos com o apoio da Abras e de várias redes de supermercados. Mas as metas de redução eram individuais. Agora a meta é nacional, assumida pelo conjunto dos varejistas. Ter o apoio da Abras neste importante passo é vital, pois ela representa mais de 76 mil estabelecimentos espalhados por todo o País. Acho que esta ação enriquecerá o Plano de Produção e Consumo e aponta as imensas possibilidades de outras semelhantes que visam aumentar o número de cidadãos e instituições que praticam o consumo responsável”, ressaltou a secretária de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental, Samyra Crespo.A recente pesquisa divulgada pelo MMA “Sustentabilidade: Aqui e Agora” aponta que 60% dos brasileiros aprovariam uma lei que proibisse a distribuição gratuita das sacolinhas, 69% adotariam outro tipo de saco ou sacola para carregar suas compras e 47% voltariam a usar latas, lixeiras e latões para acondicionar seu lixo.Apesar de estar ciente dos problemas causados pelo consumo excessivo das sacolas plásticas e já ter na ponta da língua alternativas para não usá-las, os brasileiros ainda não mudaram efetivamente seu comportamento no dia-a-dia e ainda não incorporaram a cultura da sacola retornável. O Plano da Abras mostra como o mercado e o poder público vêm se preparando para estimular cada vez mais o consumo consciente e facilitar a mudança de comportamento do consumidor de forma permanente. (Fonte: MMA)
Fórum discute descarte de lixo eletroeletrônico
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, participa nesta sexta-feira (3) da cerimônia de abertura do V Fórum Governamental de Gestão Ambiental na Administração Pública que irá debater o descarte de lixo eletroeletrônico.Durante todo o dia, cerca de 400 pessoas, especialistas da área e representantes da Administração Pública e setor privado apresentarão soluções, compartilhando experiências, entre eles, Márcio Quintino, Gerente Corporativo de Meio Ambiente da Philips do Brasil e Jameson Souto, gerente de vendas da HP Brasil.Na mesma solenidade serão premiados os vencedores do 2º Prêmio Melhores Práticas da A3P. A Premiação visa estimular a implementação de iniciativas inovadoras de gestão ambiental que contribuam para a melhoria do ambiente organizacional e do meio ambiente.Este ano, a novidade é que os troféus foram confeccionados a partir de descarte de madeira, oferecida pelo Laboratório de Produtos Florestais do Serviço Florestal Brasileiro. E o design é assinado pela equipe do Ibama. (Fonte: MMA)

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Produto ‘biodegradável’ é vilão se descartado de forma errada, diz artigo



Cientistas da Universidade Estadual da Carolina do Norte, dos Estados Unidos, divulgaram pesquisa nesta terça-feira (31) apontando que o descarte inadequado de produtos chamados ‘biodegradáveis’ pode ser prejudicial ao meio ambiente.
A justificativa é que a decomposição de copos descartáveis e outros utensílios com esta denominação liberam gás metano, causador do efeito estufa. A preocupação dos pesquisadores é que se este tipo de lixo for colocado em aterros sanitários que não capturam ou queimam o gás, o metano será liberado para a atmosfera e poderá contribuir para as emissões de poluentes.
“O metano pode ser uma valiosa fonte de energia quando capturado, mas é um gás de efeito estufa se lançado na atmosfera”, afirmou Morton Barlaz, co-autor da pesquisa e professor da universidade. “Em outras palavras, os produtos biodegradáveis podem não respeitar tanto o meio ambiente quando descartado em aterros inadequados”, complementou.
Segundo a Agência de Proteção Ambiental norte-americana, 35% dos resíduos sólidos urbanos do país vão para locais que capturam o metano e o transformam em energia. Outros 34% vão para aterros que queimam o gás (usinas de biogás). Entretanto, 31% do lixo urbano dos Estados Unidos vão para ambientes sem tratamento e que permitem liberar o gás de efeito estufa na atmosfera.
O alerta sobre o assunto foi dado também porque os produtos ‘biodegradáveis’ sofrem processo rápido de decomposição. De acordo com a pesquisa, ‘se os materiais degradam e liberam metano rapidamente, significaria menos combustível potencial para uso de energia e mais emissões de gases de efeito estufa’.
“Se queremos maximizar os benefícios ambientais dos produtos biodegradáveis em aterro, nós precisamos ampliar a coleta do metano e modificar o design desses produtos para que eles se decomponham mais lentamente”, disse. (Fonte: G1)

terça-feira, 17 de maio de 2011

Vereadores barram proibição de sacolas plásticas em São Paulo

Câmara evita que acordo entre governo do Estado e supermercados para banir sacolinhas até[br]2012 vire lei municipal
Diego Zanchetta - O Estado de S.Paulo – 11.05.11
A Câmara Municipal de São Paulo não conseguiu transformar em lei municipal o acordo entre governo do Estado e donos de supermercados que prevê o fim das sacolas plásticas a partir do ano que vem.
Clayton De Souza/AE-9/5/2011
Troca. Governo estadual quer banir sacolinhas até 2012
Na tentativa de criar uma legislação municipal que pudesse oficializar a mudança, a base governista do prefeito Gilberto Kassab (PSD) foi atropelada pelo grupo de vereadores que fez o lobby em favor das indústrias e dos sindicatos ligados à produção de plástico.
O projeto proposto pelas lideranças da Casa colocava como limite para o fim da distribuição das sacolinhas o dia 31 de dezembro de 2011 - no acordo do Estado com os empresários do setor de supermercados, constou o dia 25 de janeiro de 2012 como prazo para a substituição voluntária. Na proposta dos vereadores era vedada ainda a venda das sacolas por R$ 0,19, ao contrário do que prevê o acordo assinado na segunda-feira pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB).
Durante mais de três horas, o vereador Francisco Chagas (PT) foi o porta-voz em defesa das sacolinhas plásticas. Ele conseguiu o apoio dos colegas Milton Leite (DEM), Wadih Mutran (PP) e Aurélio Miguel (PR) para obstruir a sessão. "Não existe nenhum estudo conclusivo sobre a nocividade das sacolas plásticas. As sacolas de pano, sim, representam um risco enorme de contaminação para as pessoas", argumentou Chagas, que é ligado ao Sindicato dos Químicos.
No plenário da Câmara, cerca de cem pessoas faziam uma manifestação contra o fim das sacolinhas. O projeto em discussão seria votado em segunda discussão e seguiria para a sanção do Executivo. "Eu não consigo entender o motivo de a Câmara se preocupar tanto com as sacolinhas de uma hora para a outra", bradou Mutran (PP), vereador mais antigo da Casa, com mandato desde 1988.
Garrafas PET. O presidente da Câmara, José Police Neto (sem partido), chegou a abrir três sessões extraordinárias para tentar votar o texto, mas não teve sucesso. "Sou a favor do projeto, desde que seja incluída também a substituição das garrafas PET", justificou Aurélio Miguel.
Foi a segunda vez em menos de um ano que os vereadores tentam e não conseguem votar um prazo para o fim das sacolinhas. No final de 2010, um projeto do ex-vereador e atual deputado estadual Carlos Alberto Bezerra Júnior (PSDB) também acabou pendente de votação, após pressão de sindicatos ligados às empresas que produzem sacolinhas. Agora não existe mais prazo para proposta semelhante ser levada à discussão na Câmara paulistana.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

EM BARCELONA, LIXO CORRE NO SUBSOLO

Em Barcelona, lixo corre no subsoloCidade tem 113 km de tubulações por onde o é transportado a mais de 70 km por hora para ser reciclado ou tratado
Gustavo Bonfiglioli - ESPECIAL - O Estado de S.Paulo – 24.11.10CIDADES SUSTENTÁVEISLogo abaixo das ruas de Barcelona, existe uma outra malha de tráfego. A uma profundidade de 5 metros, o lixo de casas, escritórios e até hospitais da capital catalã viaja a uma velocidade de cerca de 70 quilômetros por hora por meio de 113 km de tubulações, rede a vácuo que literalmente suga os resíduos produzidos pela população. Todas as vias conduzem aos mesmos destinos, centrais de armazenamento onde o material é processado, estocado em contêineres e finalmente levado a estações de reciclagem ou de incineração*.A chamada coleta pneumática, desenvolvida pela empresa sueca Envac, transformou a gestão de resíduos de Barcelona desde que foi adotada, no início dos anos 90. Hoje a cidade tem 30% do lixo coletado em oito pontos. Cada uma dessas malhas subterrâneas é independente, conectada por dutos a uma central específica. Pode parecer futurista demais, mas existem 600 redes semelhantes espalhadas por 150 cidades de todo o planeta.As vantagens ambientais são muitas: o fim dos caminhões de lixo, a diminuição das pilhas de sacos nas ruas e o estímulo à coleta seletiva, já que cada tipo de resíduo - reciclável, não-reciclável e orgânico - é lançado na rede subterrânea separadamente e vai para contêineres próprios."A ausência de caminhões de lixo evita odores, acúmulo de lixo e melhora o tráfego. Além das vantagens ambientais, o sistema proporciona um melhor aproveitamento do espaço urbano", afirma Carlos Vazquez, chefe do Departamento de Gestão de Resíduos da prefeitura local. O bairro de Lesseps, no distrito de Gràcia, adotou a coleta a vácuo recentemente, em 2009. O presidente da associação de moradores, Josep Maria Flotats, é um dos entusiastas do sistema, que atende 5,6 mil pessoas em Lesseps. "O bairro está mais bonito, limpo e sem odores. Não há mais acúmulo de lixo pelas ruas à espera dos caminhões de coleta, cuja ausência também tornou o bairro menos barulhento", conta o barbeiro de 65 anos, que organizou uma visita à central de coleta para os moradores no fim do ano passado. "É importante mostrar à população para onde de fato está indo o lixo que ela produz. Todos ficaram satisfeitos." O vice-presidente da Envac Iberia, Albert Mateu, que administra os sistemas na Espanha e em Portugal, afirma que a coleta a vácuo deve cobrir 70% de Barcelona até 2018, ano em que a empresa espera concluir as outras redes de coleta projetadas para a cidade. "Infelizmente, não é possível chegar a 100% por conta de alguns bairros com pequenas colinas e irregularidades no terreno, que inviabilizam a instalação dos dutos", explica. Barcelona instalou o primeiro sistema de coleta subterrânea para os Jogos Olímpicos de 1992. O sistema criado para a vila olímpica construída com tecnologias sustentáveis no bairro Poblenou, a noroeste da cidade, atende ainda hoje a 4,4 mil residências. O exemplo da vila deu origem às outras sete redes de coleta, que, 18 anos depois, beneficiam aproximadamente 324 mil moradores.Eficiente e caro. Segundo Mateu, a instalação da Envac tem quatro grandes turbinas que evitam obstruções na tubulação. Quando ocorrem, os problemas são logo identificados por uma central computadorizada que monitora todos os trajetos. "No caso de entupimento, acionamos as turbinas. Com o ganho de poder de sucção, em 90% dos casos desobstruímos o cano." Nas demais emergências, o problema é resolvido manualmente.O sistema é eficiente, mas não barato. Já foram investidos 156 milhões em Barcelona. A instalação de uma rede capaz de atender a 18 mil famílias custa, em média, 50 milhões. Vasquez explica que o financiamento é feito de duas formas. Em áreas de urbanização nova ou recente, a iniciativa privada banca o equivalente a 57% do custo. Em áreas urbanas já consolidadas, o financiamento público chega a 92% do total. "O investimento público também vem de fundos (da União Europeia)." De acordo com Fábio Colella, gerente comercial da Envac no Brasil, o sistema diminui o custo da coleta entre 30% e 40%. "O investimento é alto, mas compensado a longo prazo."Apesar de parecer inovador, o recolhimento subterrâneo de lixo a vácuo existe desde 1961, quando foi instalado para atender a um hospital na cidade sueca de Sollefteå. Desde então, começou a ser aplicado em outras partes do país, mas só ganhou novos mercados na Europa a partir dos anos 90. "Acredito que o sistema ganhou visibilidade quando a gestão das cidades passou a ser pensada sob um ponto de vista sustentável", afirma Colella.NO BRASILBrasília, que abriu licitação para mudar a coleta de lixo, pode ser a primeira cidade do País a ter um sistema a vácuo subterrâneo. "Vamos apresentar o projeto ao governo distrital e disputar licitações", diz o gerente da Envac no Brasil, Fábio Colella. Segundo ele, o projeto poderia ser inaugurado já em 2011. Colella diz que, desde 2007, a empresa estuda trazer a tecnologia a cidades como São Paulo e Rio.